

CENTRAL NOSTALGIA
Há muito tempo atrás, quando não tínhamos barracas nem nada... a tropa foi à pé até o acampamento na antiga área de instruções do então 5o RI.
Lá só havia um curral pro gado, com metade da sua profundidade abaixo do nível do solo...de tal maneira que praticamente só o telhado do estábulo ficava visível, acima do chão!
E era lá que a tropa dormia, quase 50 escoteiros espremidos no local de abrigo dos bois e vacas!
Pois bem!
O pitoresco da história vem agora!Havia uns dois caixotes de banana prá turma...mas...o "intendente" da cozinha deixou os caixotes de bananas praticamente o dia inteiro no sol!!!
Resultado: as bananas amoleceram, ficaram pretas, como se estivessem podres! E "o ronda" da noite era o "Bico" - Antonio José de Carvalho.
De madrugada, ele de "ronda", enquanto os quase 50 escoteiros dormiam espremidos um ao outro porque o curral era pequeno, o "Bico" teve a
"genial" ideia de ir jogando banana preta, madura...porém mole, tipo podre...uma a uma...os dois caixotes...no meio dos escoteiros que dormiam!!!
Resultado da maldade pitoresca: cedinho todo mundo acordou melecado de banana espremida...
porque ao dormir a gente se mexe, se vira...e as bananas espremidas grudaram em todos eles: no uniforme, nos pijamas e nos corpos!
Nada de hasteamento da bandeira...café...primeiro banho no rio, roupa trocada...para só depois começar as atividades do dia!
Folclórico! Interessante!
Excêntrico! Divertido!
Seria cômico se não fosse trágico!
Chefe Paçoca


O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente!

O RESGATE DO QUARTEL
Acampamos em Piquete, virando na estrada que vai para Cruzeiro...à margem de um rio. Tudo ia bem...mas deu uma tromba d'água na cabeceira do rio, na serra...e o rio transbordou, chegando a inundar algumas barracas!
Eu, como Chefe, fiquei assustado, preocupado com a segurança dos escoteiros e com o material, as barracas que não eram nossas...eram emprestadas do 5o RI.
Mandei o Guia da Tropa, Adilson André Silva (filho do Subtenente Orestes) subir o morro e ir prá beira da estrada pegar carona até o 5o RI (nem carros de apoio dos pais nós tínhamos!).
O Comandante do 5o Regimento de Infantaria mandou dispensar todos os soldados que estavam retidos -- já era noitinha, praticamente não tinha mais soldados no quartel! -- e pegaram o "Formigão" que era como chamavam o caminhão que tinha um baita guincho atrás...e os soldados que ficaram foram nos salvar!
Foi um corre-corre pra resgatar as barraquinhas do 5o, as panelonas, lampiões, cobertores, roupas...tudo que já tava dentro d'água! Todos os escoteiros já estavam no acostamento da estrada, na chuva mesmo! Coisa de filme de aventura, resgatados pelos soldados presos que fizeram uma festa com a saída, com um pouquinho de liberdade!
Baden-Powell
Em nossos populosos e modernos centros, estamos, rapidamente, tornando-nos demasiadamente civilizados. Tem sido dito que em poucos séculos nossas pernas se atrofiarão por meio de uma completa dependência de metrôs, bondes e ônibus. Nossos caracteres, também, não
estão melhores por ter tudo pensado e feito fácil para nós, afinal iniciativa, desenvoltura, autoconfiança, coragem, bravura e outras virtudes não serão mais solicitadas. Nós seremos uma nação de molengas. O artificial está expulsando o natural e em poucas coisas isso é, realmente, bom para nós. (Baden-Powell, 1929, p. 16).
Se você expande sua mente dando para você mesmo um conhecimento mais amplo por meio de viagens e leituras, por meio do aprendizado que se tem da experiência com os outros, e do estudo da natureza, você estará a salvo da estupidez, se você expandir sua alma dando-se ideais superiores e aos outros sua solidariedade por meio da boa vontade e de sua solicitude, você nunca será nem um tolo , nem um erudito, mas se perceberá como um homem melhor e mais feliz. (Baden-Powell, 1922, p. 79).



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Uma vez, fizemos um acantonamento numa fazenda de parentes do Chefe Toninho, entre Piquete e Cachoeira Paulista, onde algum tempo depois, mais distante desse lugar, fizemos um acampamento. Numa atividade, domingo de manhã, recebemos um cartão, e tínhamos que fazer um desenho e pintura usando apenas o que havia a disposição. Eu usei sumo de folha de uma mangueira que tinha no local, fiz uma tinta ocre com terra de um cupim próximo. Devo ter usado mais alguma coisa. Mas não passou pela minha mente usar o carvão da fogueira do fogo de conselho (ou da flor vermelha, já que era lobinho). Éramos muitos. Começaram a chamar os nomes e o meu nunca... Foi o penúltimo (eu tinha pouco tempo de alcatéia). Já estava triste... Pra minha alegria eu recebi um brinde (não me recordo mais), além do bravo bravo bravíssimo, o meu primeiro, pois foi considerado original e inteligente, já que a maioria usou o carvão.
Também a lembrança gastronômica. Não me lembro se em casa já tinha sido feito lasanha. Mas acabando a atividade, nosso almoço chegou na Kombi do Ch Toninho (era hatty na alcatéia, na época, ao menos que eu me lembre), e o cardápio era lasagna com frango assado...Anos após, fomos nesta fazenda saindo da sede (oratório são Luiz ainda) de caminhão. Eu fui o intendente da patrulha. Meu monitor era o Agostinho (mora ainda hj na esquina do cemitério). Ali comecei a gostar da cozinha. Tanto que quando fui morar em SP, ficava sozinho e fazia pão caçador. Trouxe meus filhos pra cozinha (inclusive no escotismo quando eles iam). Minha filha mais nova faz gastronomia em campos do Jordão e trabalha em um empório lá (a caçula. tem 20 anos de idade). A do meio trabalha com banho, tosa e cuidado com animais, além de trabalhos manuais (faz filtros de luz, acho que é esse o nome), graças ao incentivo do escotismo (meus filhos não foram membros do Guaypacaré, mas sim do sarça ardente, sob presidência do Ch Renê pereira e depois no potins).
Afastado do movimento escoteiro desde que fui pra SP em 77, uma canção que aprendi no guaypacaré, num agrupo do sarça, né trouxe de volta ao escotismo. Perguntei ao Ch Renê se ele conhecia a canção.
Ele ouviu e disse: essa canção era cantada no Guaypacaré (arrepiei aqui agora).
Você foi escoteiro? Era do Guaypacaré? Que época. Disse que tinha
participado de uma atividade na praça Arnolfo Azevedo quando o general
Geisel veio a Lorena e ele falou que foi nesse dia que pediu ao pai pra entrar
no grupo. Cantamos a canção e no dia seguinte, ele me chamou da cozinha
pra falar alguma coisa (eu de costas pra quem chegava na ferradura.
Era convite pra renovar a promessa. Desde aquele 6 ou 7 de setembro
estou ativo no movimento novamente.
Chefe Arnoldo Wilde
























